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» A CRISE E A OPORTUNIDADE DA PECUÁRIA DE CORTE
O espectro dos preços baixos que hoje assusta a pecuária de corte, em todo o Brasil, é motivo de muito lamento. A emoção cede lugar à razão, atitude desfavorável para encontramos uma saída. Não podemos, mais, facilitar. As adversidades decorrem das facilidades. Vamos emparelhar a crise com a oportunidade. Visando, sobretudo, estimular um debate e o intercâmbio de idéias em busca dessa saída, tecemos as considerações seguintes.
O remédio considerado mais eficaz contra a malignidade das crises é a união, a parceria, o associativismo e a cooperação. Isso multiplica e fortalece as ações solitárias, conseguindo-se resultados admiráveis. Seguindo esse raciocínio, é preciso estabelecemos as forças impulsoras, modernas, eficientes e sintonizadas com o presente contexto de um quadro de economia mais estável em um mundo globalizado e competitivo. O nosso papel deve ir alem das porteiras das fazendas, fortalecendo a nossa cidadania e unidos contra as forças restritivas, anacrônicas e mesquinhas que embaraçam a pecuária de corte. Devemos estar sempre participando da sustentabilidade desse setor imprescindível para o bem estar sócio-econômico do País, ao gerar emprego e renda, que restringe o êxodo rural e o conseqüente inchamento urbano com as suas mazelas de desemprego, favelizaçao e o crescimento da violência. Aliás, tal importância deve ser dita e repetida para o entendimento e sensibilização dos nossos governantes, em todas as esferas do poder.
Cabe a lembrança de que os pecuaristas brasileiros fizeram a lição de casa, do campo, com distinção e louvor. Com tecnologia, trabalho e dedicação o sistema produtivo ficou mais eficiente resultando na melhoria e a ampliação da oferta de gado pronto para o abate. Ao mesmo tempo, em alguns estados, cresciam as exportações, entretanto, insuficientes para equilibrar a oferta com a demanda. A velha e irrevogável lei de mercado empurrou os preços da arroba para baixo.
Argumenta-se, constantemente, de que temos um enorme mercado potencial para carne vez que o consumo interno anda estabilizado em cerca de 36 kg/hab./ano enquanto os outros países chega até a 76 kg/hab./ano. Tudo bem, porem o problema é que a renda da população é que dita o cardápio do brasileiro. Assim, o principal desafio, hoje, do agronegócio da carne bovina no Brasil é o equacionar o binômio preço justo x baixa renda. Resumindo, precisamos encontrar o caminho que nos permita uma justa remuneração pela arroba do boi gordo sem onerar e afugentar o consumidor. É difícil mas não é impossível.
O grande desafio é transformar a maior parte dos atuais matadouros frigoríficos da atual condição de simples unidades desmontadoras de carcaça bovina em plantas industriais processadoras da matéria prima boi gordo. A palavra chave é agregar valor aos produtos e aproveitar mais o subprodutos. Enquanto, em outros países, já se implantam as “fábricas de carne” com “ processamento avançado”, aqui, a maior parte das empresas de abate, ainda, não conseguiu chegar ao “processamento primário”. A realidade, ainda, pouco difere do antigo tripé: carne, couro e fato. O pessoal do frango, há muito tempo, já partiu na nossa frente. Esse problema da gripe aviária é um acidente de percurso, um evento que vai ser administrado e superado por uma cadeia produtiva avançada e prestigiada.
Para isso acontecer, torna-se necessária uma modernização no relacionamento entre produtores e frigoríficos. Não adiantam, mais, as brigas de ocasiões. A negociação deve ser ainda mais ampla com a participação de todos os integrantes da cadeia produtiva, inclusive o varejo. A presença das entidades de classe na coordenação desse verdadeiro mutirão será fundamental e determinante para a elaboração de um bom diagnóstico setorial para definir as ações necessárias ao aprimoramento tecnológico e comercial, incluindo o marketing institucional. Com isso, bem fundamentados, com justo direito, poderemos reivindicar o apoio e as medidas dos governos, federal, estadual e municipal no sentido de preservar o trabalho desenvolvido desde os rincões até as cidades pelo agronegócio da carne bovina.
Assim, deste modo, uma indústria moderna, eficiente, processadora poderá produzir a custos competitivos, remunerar melhor ao produtor e conseguir resultados positivos sem repasse inviável para o consumidor final. Vamos ao debate, não podemos desanimar, iluminemos as nossas idéias para as iniciativas que possam retirar o bloqueio sobre o horizonte a fim de vislumbramos o porvir.
Colaboração
Paulo Cesar Bastos
Engenheiro Civil e Pecuarista
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